Que tal um hambúrguer, com duplo queijo, ao invés do arroz e feijão (sem graça) de cada dia. Ou um delivery de calabresa e pepperoni, em lugar do almoço de amanhã. Veja bem os benefícios:

 

-         não preciso sair nesse sol rachando a mamona para procurar um restaurante (#fato);

-         não preciso ir a um restaurante lotado e me assentar ao lado de pessoas que não conheço (#fato);

-         não preciso nem comer salada (#topei)

 

Tudo está tão à mão, por que me dar ao trabalho de ir atrás? Podíamos, inclusive, ter filhos delivery: “me vê aí um de 2/3 anos, lourinho, olhos azuis e covinha. Ah, e que não chore muito, por favor!”. Hum, que tal pais com ‘duplo sim’: “posso fazer uma festa aqui em casa pra galera da escola, com cerveja e whisky? Posso dormir com meu(minha) namorado(a) no meu quarto?”.

Pra essa geração acostumada com o fast pra tudo (comida, relacionamentos, formação, etc) talvez fosse mais interessante ter uma linha direta no céu onde pudessem ligar e dizer: “Aí Jesus, manda um milagre pra me tirar dessa, ‘véi’!”. Não me surpreenderia se acompanhando esse pedido viesse: “demora quanto tempo pra chegar?”.

O fato é que as pessoas incorporaram o fast e o delivery para todas as esferas de suas vidas. Já era de mal a pior quando esse tratamento era só para alimentos; só para constar, o índice de obesos aumentou consideravelmente no Brasil e em outros países.

Imagina esse conceito trazido para relacionamentos? Percebo o reflexo desastroso dessa atitude. As pessoas são usadas e descartadas a todo o momento…a fila anda, né?! Sim, a fila anda, pra todo mundo. A fila anda, o tempo passa, e mais e mais comprimidos para depressão são vendidos. Mais clínicas de recuperação para dependentes químicos são abertas. Mais igrejas que ‘vendem’ milagres por meio de correntes disso e daquilo ganham adeptos. Isso porque nos tornamos distantes, frios e imediatistas. Serve se for agora e se não houver esforço. Triste.

Lamento perceber que quanto mais informação, menos informado. Quanto mais fácil, mais difícil. Quanto mais rápido, mais lenta recuperação.

Informo aos ‘fast’ de plantão que o ‘não’ é necessário. Que conhecer pessoas, pessoalmente, e andar ao sol fazem bem à saúde e à alma. Que buscar Deus todos os dias é encontrá-Lo em tudo e a nós mesmos. E que os milagres virão pela sua mudança de atitude, amando mais, usando menos. Isso é fácil? Não. Mas é delicioso e os benefícios, assim como o filtro solar, são de longo prazo.

Menos é mais. Verdade! Menos individualismo é mais interação e possivelmente mais sorrisos, depende de como você interage. Menos avareza é mais gente tendo comida na mesa. Menos egoísmo é mais amor para com o próximo (perto ou distante, conhecido ou não). Menos Internet é mais cinema, mais filminho na casa dos amigos, mais pipoca, mais passeio no shopping, mais paquera.

Quem escreveu isso?

Eu, uai.

Milene Matoso de Novaes

Relações Públicas e Especialista em Produção para Mídias Digitai 

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